mercredi 18 mars 2015

Epifania absoluta!
Reencontrei a manicure "da minha vida" num novo "salão" que abriu aqui pertinho.  A cabeleireira responsável já a conhecia eu  há qu'anos, de um sítio também a dois passos, e que fechou por razões de rendas e crises e coisas assim. A manicure, encontrei-a por acaso, há uns dois anos, numa ida a um espaço desconhecido que passou a ser semanal, só para lhe entregar, a ela e a mais ninguém, as peles nojentas das minhas unhas. Um dia, quando lá entrei, disseram : "A C. foi deslocada para outro salão. ". E eu virei costas e desloquei-me para casa, de unhas tortas e peles invasoras.  
Desde aí tem sido uma lástima de cutículas orfãs. Até hoje. Abri a porta para dizer olá e parabéns e eis que ela me aparece.
Yeeeeaaaaahhhhh! A felicidade aqui ao lado. 
Estou de mãos leves como borboletas....

lundi 16 mars 2015

Hoje estive em guerra acesa com um computador/torre que me foi deixado em casa, porque démodé, por uma das minhas crias. Andava há que tempos a ameaçar que o deitava fora e, quando me deram autorização para o fazer, enchi-me de escrúpulos por deixar ao Deus dará fotografias e documentos eventualmente guardados. Imaginei a cara do meu bebé - que já tem 8 anos...-  a ser usada em publicidade sabe-se lá onde, ou as imagens dele e dos irmãos em fato de banho, pequeninos, no Algarve, em posts numa rede de pedófilos.... E também pensei que seria útil, apesar de velhinho, para que  o usem, já que lá por casa é quase  proibido tocar nos Ipads e phones e pods e outros que tais, todos portáteis. 
Pensei, assim, tentar retirar toda a informação pessoal e levá-lo, depois,  a uma "oficina" para limpeza e afinação.
Então andei a desencantar cabos de ligação para a electricidade e para o monitor e arranjei um rato novo. Que me irritou tanto porque é sempre aquele desespero de cortar pele, e partir unhas, para abrir as embalagens plásticas, herméticas, rijas; se lhes metemos uma faca ou uma tesoura é fatal que alguma nos salte, rés-vés o nariz. 
Enfim, liguei tudo diretinho a achar que se  funcionasse seria um milagre eu ter acertado no sítio certo.
Aquilo "pegou" logo à primeira e o monitor deu-me luz. Entusiasmo de pouca dura foi o meu, pois estava bloqueado. Vá de mensagens a inquirir a palavra passe. Que nunca teve, que não sei, que se houve foi outro quem a criou.
Googlei. 
Um brasileiro muito "cara" e talvez hacker ensinava o "pessoal,  hein? viúú´?", pacientemente em vídeo, cada passo de intromissão no mundo informático alheio. Tomei nota  num papel e fui cumprindo. 
Está feito. Fotografias desde há sete anos, passadas para uma pen e banidas (acho eu ...que desejo  não estejam ainda por lá num canto do disco rígido). 
Foi a tarde inteirinha em suspiros de sofrimento de cada vez que o sistema caía, talvez porque a tomada de entrada do cabo do monitor tem um só parafuso. 
Lembro-me de há uns quinze paleoliticos anos,  quando declarei que iria fazer um curso de "iniciação aos computadores" alguém me ter dito "Nãããã...não vale a pena. Esqueces-te de tudo num instante. Seria preciso que os usasses com frequência". Mas fui na mesma.  
Pois. 

samedi 14 mars 2015

Tanto sol, tanto azul, tanta nortada gelada. 
Hoje ao almoço vi dois pássaros pousarem nos ramos desfolhados de uma árvore  
( já tem  p'ra cima de dois metros e meio; só hoje reparei como cresceu; é como os meninos cá de casa que se estou quinze dias sem os ver parecem-me outros, de tão espigados e quase homens)
de semente por mim apanhada em Belém. Achava, quando a(s) tirei do chão em vagem, ser de jacarandá e só  já  baby percebi que é de uma - a única -  acácia (?) que desabrocha no mesmo tempo que os jacarandás e está entre eles na Av. Torre de Belém. E cujas pétalas caem em uníssono com as roxas-aniladas. fazendo um tapete bicolor lindissimo.
Fora a primeira vez. Nunca tinha experimentado o prazer de ver nasscer uma árvore. 
E agora ei-la que serve de poiso a dois passarinhos  namoradeiros e tão inquietos com o vento como eu.
Espero que amaine ao fim da tarde já que a " Noite dos ventos, (é) noite dos mortos”.

vendredi 13 mars 2015

E aqui está a do meu pai, no próprio dia em que a mulher, à espera de um filho, o deixara em Luanda ...

Luchinha querida,                                                                                                         L. 12.VI.50


São quase 6 e meia e deves estar ainda muito tonta da viagem, provavelmente bastante moída; os meus desejos mais ardentes são que a viagem tenha sido razoável e que vocês todos tenham chegado sem emperro.
Depois de te deixar fui para a Caridade onde operei mais uma hérnia, calma e proficientemente. Quando acabei aquele trabalhinho pensei em ti e o meu coração apertou-se – partiras há menos de 2 horas e já me sentia saudoso! Na consulta fartei-me de ver doentes; tive para cima de trinta e como cheguei tarde foram despachados em grande velocidade. Verdade se diga que nenhum deles apresentava queixas extraordinárias. Só o trivial…
Ao almoço gramei a Elsa e uma série de mixórdias que me souberam pessimamente. Depois do café que nem me soube bem sem a vossa companhia,(...) fui outra vez à Pensão Siriva (?) e desisti de vez de me mudar para lá. Aquilo não me serve e se não arranjar melhor prefiro pagar aqui os 80$00 por dia (de resto para ficar lá decentemente levam-me o mesmo ou menos 10.00 e não vale a pena sacrificar-me!). Mas antes de sair à procura de novos aposentos, lembrei-me de fazer a mala e a alturas tantas da operação, tive ganas de ir a Malange puxar-te as orelhas, em sentido figurado bem se vê, pois que a minha vontade era beijar-te de ternura! Sabes que cada vez me convenço mais do que te disse um dia, que és mulher, mãe e filha, tudo como uma nova trindade! Mas reatando: abro uma gaveta e encontro uma série de caixinhas e qual não é o meu espanto ao vê-las ocupadas de jóias! E nem sequer uma palavra… Noutra gaveta, ou coisa semelhante, um embrulho com um casaco desfeito e etc., etc… E as coisas a acumularem-se e eu a ver a mala a encher e aflito sem saber como anichar tudo: ao fim lá se arranjaram as coisas e pareceu-me que caberá tudo quando, daqui a dias, resolver embarcar rumo ao meu amor. Sabes uma coisa? Gosto muito de Ti! E fiquei todo mole cá por dentro quando fui conferir a roupa que o Agostinho trouxe: consolou-me ler aquela meiguice e podes debitar na tua carta mais um kilo de beijos.
E o Taninho como é que se portou? Calculo que valentemente para não desmerecer os pais. Amanhã continuo em busca de instalações mais bonitas. Tentarei escrever-te todos os dias um bocado, de modo a ficares ao corrente do que por cá se passa.
Ao fim da tarde e mesmo sem ter tido dor de cabeça, fui fazer uma picada no dedo e estive mais de 1 h a ver se encontrava algum bichinho; nem eu nem o analista vimos nada. Hoje estou bem disposto e estaria feliz se te tivesse ao pé de mim a dizer maluquices…
Até amanhã amorzinho. Cuida de ti e vai olhando pelos Pais. Milhões de beijos, e amor e a ternura do marido amigo

António Maria