Hoje lá fui finalmente às compras. Zonza mas absolutamente convicta de que não é uma constipação forte que me impede.
Deixei o carro longe do Supercor, no cimo da avenida, e, no regresso, tive de largar o carrinho a meio da rampa pois os bofes rebentar-se-iam se eu me atrevesse a dar mais um empurrão nas compras. Acho que cada músculo do meu corpo se recusa a mexer. Peguei só no garrafão de água e subi, largando o resto junto ao prédio, pensando que fazer duas viagens de recolecção é menos dificil do que trazer a caça inteira aos ombros.
Vi , de longe, um homem enorme encostado, quase colado, ao meu carro, no lado do condutor. Achei que estaria a tentar abri-lo mas, ainda de longe, percebi que mexia num telemóvel. Mas tão em cima do carro?? Estranhei e tive medo.
Abeirei-me com jeitinho e em guarda, meti o garrafão pelo lado do morto rapidamente, tranquei e desci para ir buscar o saco que tinha ficado no carrinho. Voltei a subir, o homem não se mexeu um centimetro. Não estava encostado mas os seus jeans tocavam a dobradiça da porta traseira do "meu" lado. Ou seja, para entrar no carro teria quase de lhe pedir licença. Ele sentiu-me de certeza, a não ser que fosse surdo, voltar a abrir a porta do lado do morto, não me olhou de frente mas os óculos espelhados permitiam-lhe ver-me de lado.
E continuou sem se mexer.
Voltei a trancar o carro, afastei-me, desci o passeio deserto a essa hora - ou com dois ou três passantes esporádicos, e fui ao supermercado saber se teriam seguranças. Não. Já não têm.
E agora?? Não vou ligar para a polícia por causa de um homem que se não desencosta....
E não é que quando regresso ao passeio, vejo do outro lado da rua três (3!!!) GNRs a cavalo, paulatinamente subindo a avenida ? Esqueci-me que tinha bofes sofredores de gripe e quase corri para chegar, no mesmo tempo que eles, ao sítio onde tinha o carro. O homem ficou-se a olhar para eles, estático, enquanto eu disse bem alto "Importa-se de sair que eu tenho de abrir a porta, por favor?". E zás! Entrei, tranquei-me carreguei na embraiagem - se não o caprichoso não pega- e ala para longe dali. Nem olhei para trás...
Acho que passarei a parcar no parque.