Hoje, depois de estar imersa na trepidação da Praça do Saldanha - onde estarreci perante uma coluna em forma de mão gigante que parece sustentar um novo prédio - e em deslumbramento com a gloriosa luz amarela destas tardes de Inverno deste ano, passei para o lado de lá na ponte da Infante Santo, fui tomar um café à Vela Latina, babei ao deitar o olho aos queques mas não lhes toquei e fui andar a pé.
O Tejo não tinha uma só onda. Aquele monstro híbrido que eu tanto vejo no asfalto como dentro de água, chamado Hipo qualquer coisa, passou-me à frente, borbulhando, quase silenciosamente e pela primeira vez, tal era a planura da água - que até me parecia o espelho da baía de Luanda em Domingos de ski -, não achei que desta é que iria ao fundo com os poucos turistas...
Poucos turistas também em terra, dois carros da PSP a quem perguntei porquê a sua inacostumada presença - respondeu-me um agente, depois de ter olhado para o alto "Prevenção contra o ataque das gaivotas..." - nem um cigano a vender óculos, nem uma cigana a atirar-me écharpes manhosas e a desistir quando percebe que sou portuguesa, nem um vislumbre de cheiro a "maresia de Tejo"...
Um sol amarelo e quentinho, a paz e a gratitude plena por estar viva.
À frente do monumento dos militares caídos em combate, iniciou-se uma marcha de garbosos rapazes, acho que da Marinha. Simultaneamente, o toque respectivo. Habituada que estive, anos a fio na minha meninice, aos toques todos das portas de quartéis no topo do Alvalade luandense, procurei o militar da corneta. Nada. Nem um à vista.
Agora é gravado.
Que pena faltar aquela, sempre presente, nota desafinada...