Almoço cá em casa, de homens. Amigos desde meninos, e meus desde menina.
Um deles divorciado e solteiro. Outro com a vigésima namorada. Outro com a segunda mulher. E outro com a terceira. Só um com a mesma mulher de sempre mas escolhida "fora do grupo".
Eu, a única "antiga", e sempre tão próxima, embora fisicamente afastada, fui escolhida para que o meu sítio fosse o lugar de comemoração da passagem por Portugal daquele que vive fora e dissera, por email, a sua necessidade de estar com amigos.
Barrigudos - um ou outro -, cabeças brancas, ligeiramente encurvados, sobreviventes de percursos de vida durissimos e profissionalmente vencedores, juntos convertem-se em (nos meus) rapazinhos quando se riem e se troçam em ternura, ou quando dizem metade de contos - sabendo da outra metade só os que vêm do mesmo tempo e espaço -, nos códigos comuns e também silenciosos, nos momentos de quase condescendência pelas mulheres actuais, aparecidas já a vida fora feita e que não sabem tudo deles, pelo menos não sabem dos momentos que os estruturaram.
Ouvi-os, ri-me, quase chorei, deitei algumas achas para a fogueira das suas memórias- assim tipo mnemónicas -.
Cada um não era o de hoje mas, em conjunto, os de ontem.
Cada um não era o de hoje mas, em conjunto, os de ontem.
E a ternura para comigo, cada uma diferente todavia tão iguais a "dantes" ...
Lucky me.