vendredi 2 janvier 2015

Fiz.
E fartei-me de sonhar. 
Porque, se durmo directas 6 horas sem parar,   deitando-me à 1 da manhã, não me lembro do que vagueei durante o sono quando me levanto às 7 e pouco. 
Mas esta noite, feita a meia dúzia, plim, olhos abertos, vagueei pela casa à procura de água e de sítio para a verter, voltei para a cama, enrosquei-me deliciada no quentinho das penas e a partir daí até às 7:30 foi um sem fim de gente a visitar-me e a obrigar-me a viver situações inesperadas... 
Não é bom. O sono da meia noite tira-me as olheiras mas leva-me a um sobressalto de alma que dura o dia inteiro. 
Porém, decisão de princípio do ano é para cumprir.
E também fui andar a pé. Não ao rio mas à Praça dos Jerónimos, desde o CCB até ao correio e às lojas de Belém. Em arrepios de sol escaldante e sombra gelada.
Espantada com a fila incomensurável de turistas para entrarem no claustro do convento. E perguntando-me como é que se aguenta estar em férias numa terra ensolarada e estacar horas perdidas numa bicha, igual à dos supermercados, como se para comprar batatas. Aconteceu-me uma vez em Bruxelas, tentando ver o recém inaugurado Museu Magritte. Já com bilhetes pré-comprados, percebendo da necessidade de enfileirar para entrar no elevador, dei meia volta e saí. E nem estava sol. Fiquei com pena de não voltar a ver o Empire des Lumières ao vivo mas retenho o (bom) choque que foi dar de caras com ele na minha primeira visita ao Beaux Arts. E tenho uma réplica na parede da cabeceira. 
E pronto. O resto foi bom: pastel de cerveja comprado quase em frente aos gordurosos natas de Belém, alfinete na novissima Missangas e Companhia para fechar bem o poncho que se me abria ao vento frio e negócio fechado com a senhora do correio: ia devolver uma camisolona GAP que encomendara em duplicado, ela achou que ficaria bem ao filho, deu-me o dinheiro respectivo o qual, combinámos, ficará no envelope até á certeza de que lhe serve.
E à tarde Marginal fora, em reflexos de foz do Tejo, até Sintra desfolhada pelo Inverno. E outros, vários, arrepios, porque parei à frente das ruínas de um casarão que dizem ter sido lar de orfãs no princípio do séc XX. O que seria ser orfã, interna, nas brumas da Vila...

(e a senhora do correio telefonou informando que a camisola serve ao filho)

jeudi 1 janvier 2015

É estúpido chegar a esta idade e continuar a fazer "planos de melhoramento pessoal" para o ano que entra. Sobretudo sabendo de antemão que  metade deles não vão ser cumpridos.
Para já, já entrei irritada porque não passei para as novas folhas, imaculadas e direitas sem uma única ruga nem traço, da Mini Filofax  (que persisto em utilizar pois que essa não me cai na água da casa de banho como o telemóvel que continuo a enfiar no bolso de trás das calças)  as datas de anos dos amigos e família extensa. Irrita-me não ter esse "dever" cumprido mesmo sabendo que nem sempre a abro e me perco nos dias.
Hoje e a partir de hoje deitar-me-ei às 11 horas, dormirei o sono da meia noite e irei sempre que não chova andar a pé pelo rio ao menos 3 vezes por semana.
Amanhã escreverei, aqui, se cumpri.

mercredi 12 novembre 2014

Vi-a da rua, de relance, quando eu chegava de carro. 
Encostada a uma janela grande dentro do centro comercial. Tão grande a janela que ela parecia ínfima e de tão encolhida estava magérrima. Chorava. Copiosamente.
Entrei pela porta pesada, hesitei no caminho para a relojoaria mas não resisti e fui à sua procura, ver se ainda lá estava. E sim, estava. Atrás da coluna, a olhar para fora, de lenço na mão e cara molhada. Fingi que me tinha enganado no caminho e que a via por acaso. Parei e
‘Então? Precisa de ajuda? É alguma coisa muito grave?‘
E quando me aproximei vi-a, afinal alta, enorme, nada magra, cara linda, boca inchada de choro mas em meio sorriso conformado.
‘Não’ e limpava a cara. ‘Não é grave’ e sorriu mais abertamente como se o choro fosse tontice mas quase a chorar outra vez. 
Pus-lhe a mão num braço e senti-lhe o calor de mulher plena, aquele calor que só existe numa mulher fértil. Acho que era o calor que eu encontrava na minha mãe.
 ‘Não chore! Não chore tanto! A vida é tão boa não vale a pena gastá-la, assim’.
‘Obrigada’, respondeu-me.

 E afastei-me a fungar, reconhecendo-lhe o desgosto dos dias amargos de desgostos menores e inúteis.