Hoje ganhei 16 euros no euromilhões.
Fui ver "as sortes" àquela papelaria que está ao lado da taberna dos "cor de ameixa", daquela terra onde se encontram mais miseráveis por centimetro quadrado do que em qualquer outro lugar do mundo português.
Entrei e lá estava um, encostado ao balcão a olhar para o lado, toldadamente hipnotizado pela traseira de uma das meninas cheínhas. Ela esticava-se em cima de um banco, fazendo arranjos na moldura superior da montra, deixando à mercê do seu (dele) olhar, molhado, uma faixa de lombo, bem revestido de gordurinha, naquela zona que já não é costas nem ainda rabo.
Cheguei-me ao balcão, ela desceu afogueada, e o meu "pensamento paralelo" perguntou-se se seria do calor abafado se da certeza de que o "cliente" a filava por trás.
Ele afastou-se para namorar a máquina do tabaco. Entretanto entrou uma senhora que poderia ser companheira de sua desdita, a menina anunciou em voz alta que eu tinha ganho tanto dinheiro e saí acabrunhada a achar que os 16 euros lhes fazem muita mais falta a eles e que se calhar ficaram a pensar, num pensamento perfeitamente consciente:
"Olha-me esta gaja é que ganha esta f**a deste jogo e a mim não me calha nada.".


