mercredi 23 juillet 2014

Hoje ganhei 16 euros no euromilhões.
Fui ver "as sortes" àquela papelaria que está ao lado da taberna dos "cor de ameixa", daquela terra onde se encontram mais miseráveis por centimetro quadrado do que em qualquer outro lugar do mundo português. 

Entrei e lá estava um, encostado ao balcão a olhar para o lado, toldadamente hipnotizado pela traseira de uma das meninas cheínhas. Ela esticava-se em cima de um banco, fazendo arranjos na moldura superior da montra, deixando à mercê do seu (dele) olhar, molhado, uma faixa de lombo, bem revestido de gordurinha, naquela zona que já não é costas nem ainda rabo.
Cheguei-me ao balcão, ela desceu afogueada, e o meu "pensamento paralelo" perguntou-se se seria do calor abafado se da certeza de que o "cliente" a filava por trás.
Ele afastou-se para namorar a máquina do tabaco. Entretanto entrou uma senhora que poderia ser companheira de sua desdita, a menina anunciou em voz alta que eu tinha ganho tanto dinheiro e saí acabrunhada a achar que os 16 euros lhes fazem muita mais falta a eles e que se calhar ficaram a pensar, num pensamento perfeitamente consciente:
"Olha-me esta gaja é que ganha esta f**a deste jogo e a mim não me calha nada.".

Depressões

Fui ao Supercor da Beloura. Espécie de atol da sociedade de consumo num lago quase fantasma.
Tudo fechado. Lojas, restaurantes, a Casa Batalha ainda com os colares e pulseiras, intactos, nas montras. Resta uma perfumaria, uma loja de "utilidades para casa" - que deve estar prestes a fechar porque só lá vi atoalhados -,  uma pequena e central cafetaria com bom serviço e os cinemas, acho.
As escadas a rolarem para meia dúzia de visitantes,
A Lanidor com coisas lindas mas pouco tocadas.
Uma mãe com uma criança no parquinho do escorrega. 
E a minha esperança de que volte a vida àquele espaço. Até sinto falta das senhoras que eu dizia serem mulheres de jogadores de futebol, muito loiras, muito enfeitadas, de pés rotundos e bem tratados a saltarem de sandálias de marca muito chique, compradas lá. 

samedi 19 juillet 2014







Uma semana de permeio. Na Praia Grande.
Esta espécie de lápis - ou de giz? a assinatura do artista não parece dizer "chalk"? -  foi feita no Inverno, após as grandes ondas que levaram areia. Depois o mar devolveu parte. Na semana passada pensei nos arqueólogos que irão descobrir a "pintura rupestre". E fotografei-a em cima de um tapete macio . Uma semana depois voltei à caminhada, parti uma unha do dedão grande do pé ao bater num pedregulho pontiagudo, fotografei a figura au complet e seguramente mais para cima do que no dia em que foi pintada e espantei-me, como sempre, com as toneladas de grãos que andam ao sabor das marés...

mardi 1 juillet 2014

Varanda em princípio de Verão

O mesmo mar infinito.
A areia em palco de actores diversos.
O sol.
Ainda há quem case; os casamentos são rituais de encontros, ou reencontros, coloridos.
E há bebés. Cujos pais deixam as mães dormir, manhã cedo, e tomam para si, só, o encanto das descobertas primárias revendo-se ou redescobrindo a magia das sensações novas.