Tive um sonho.
E é tão raro sonhar...
Conduzia qualquer coisa muito grande. Achava eu, no princípio do sonho, que era um camião TIR, com atrelado e tudo.
Via o Tejo e a sua foz. E sol. Muito sol a cintilar naquela imensidão azul.
Ao passar em Santo Amaro de Oeiras, parei para tomar um café rápido. Ali mesmo à beira da água (talvez na marginal?) deixei o "veículo" encostado e vi-me a não confirmar se estava bem travado. Mas tanta era a pressa da cafeína ...
No subconsciente (temos subconsciente nos sonhos, percebi hoje), fiquei preocupada. Tanto que a meio do gole de café fui à montra espreitar. Eis que vejo o "veículo"...Não um camião mas um petroleiro enorme, cuja âncora se tinha desprendido das fracas areias da praia e à deriva, a grande velocidade, ia ao sabor do esvaziamento da maré, quase a chegar a Carcavelos. Enorme e livre!
Liguei para o 112 em aflição. O senhor que me atendeu ao invés de se zangar deu-me os parabéns por ter chamado e garantiu-me que iria tentar solução.
Mas como se consegue "agarrar" um barco destes, assim enorme?- perguntava-me eu em total desesperança aflitiva.
E acordei.
Já há muitos anos não tinha este alívio de perceber que afinal a vida dos sonhos não é real.