vendredi 9 novembre 2012

Há uns anos, quando era furiosa seguidora de blogs, adorava o  "Berra-Boi". Foi o percursor das fotografias de rua. Lindas e 'bem apanhadas'. Havia inúmeras de parzinhos. De várias idades. Alguns abraçados outros de mão dada. Em todas as de 'mão-na-mão' era a do homem que estava 'à frente'. Ou seja, era o homem quem pegava na mão da mulher, ficando esta numa posição, simbólica, de passividade, parecendo que se deixava levar ou que ele a puxava e a guiava..ou comandava, claro. Combinámos, eu e o 'dono' do blog, que lhe pagaria um almoço quando publicasse uma fotografia 'mão-na-mão' em que a da mulher estivesse na frente, em comando... Nunca publicou embora me tenha dito que tinha visto, no Chiado, uma dessas situações, mas que não trazia a máquina.
Lembrei-me dele quando vi esta publicada no Figaro....

mardi 7 août 2012

Há dias tive que explicar aos meus netos porque é que não gosto de piscinas públicas. Nem de algumas privadas. Enfim, não expliquei TODOS os motivos mas bastou dizer-lhes que havia pessoas que, se calhar, não limpavam o rabo depois de fazer cócó e iam mergulhar na mesma água que nós, para os fazer parar de suplicar que os levassemos.
E quando eu era pequenina e a nossa mãe nos levava ao Tamariz, fazia-nos uma preleção que iniciava na autoestrada, à frente do edificio da Nestlé, e acabava a meio da marginal, num sítio onde há um crucifixo - que eu achava que era a praia da cruz quebrada e só mais velha percebi que não - ....
"Não se pode fazer xixi, ouviram? Se o fizerem, a água à vossa volta fica amarela e toda a gente percebe".
Nunca me atrevi.
A mãe daquele homem peixe que dá pelo nome de Phelps e que é meio anormalóide, não lhe disse o mesmo. Muito deve ter engolido... E os colegas também.

jeudi 19 juillet 2012

Hoje estive sentada numas escadas, frente a um jardim público, à espera da minha filha. No meio, mesmo, do jardim, rodeados de verde e iluminados pelo sol brilhante, num banco, estava um casal de velhinhos, muito velhinhos. Ela bem gorda e grande, de cabelo quase ruivo e permanentado. Ele muito chupado, de boné, e sorriso vazio de dentes. Chamaram-me a atenção porque estavam abraçados, a conversar. E a rir. Ele com ar malandro, ela meio comprometida. E depois ele fez-lhe festas na cara até conseguir uns beijinhos na boca, prolongados e bem sentidos, acho. Muito tempo. E repetiram. Ela olhava para os lados de quando em quando, a ver se alguém reparava. E abraçava-o, tanto que ele desaparecia na imensidão do que ela era. E sorria. Até que meteu uma das mãos no seu decote. De uma forma nada indecorosa. Parecia-me um daqueles bebés crescidinhos que também procuram o conforto do peito da mãe por debaixo da camisa.
Fiquei enternecida até agora.
E a caminho de casa vi isto num muro da 24 de Julho.
Viva a vida!!
 

mardi 17 juillet 2012

07:00 am.
Abri a janela estremunhada. Em vez de ar fresco, o novo dia deu-me um soco de calor.
Despachei-me.
Praia. Mar azuuuuuuul.  Na areia, escassas marcas de pés e muitas pegadas de gaivota. Certinhas, em caminho bem definido. Elas sabem por e para onde andam. Não voltam atrás nem fazem grandes desvios. 
Andar, andar...Maré baixa, ondinhas rasteiras, água transparente. Lá ao fundo, nas rochas, ainda é de noite, gelada e soturna. Nem entro. Dou meia volta e continuo a caminho da piscina. 
Chegaram os meninos da colónia. Muitos, rasteiros como as ondas, onde se estiram em gritinhos de entusiasmo pelo arrepio do frio. Nunca fui menina, assim, de estar feliz longe da família.
Pelo caminho, milhares de conchas de mexilhão. Algumas ainda com limos colados. E, hoje, imensas carapaças de caranguejos. Só a capa. As pernas desapareceram. Apanhei algumas. Eram moles e transparentes  mas com uma hora de sol, encostadas ao pau do toldo, tornaram-se cor de camarão. As cascas também apanham escaldões, mesmo depois de mortas e desmembradas... 
E não percebo porque é que nesta praia não existem as conchas que se apanham noutras. Talvez o mar, de tão forte, as desfaça antes que cheguem à areia. 
Tentei mergulhar. Gelado de quebrar a respiração, só entrei até meio. Ou melhor, molhei-me em semicúpio, na água que subia fortemente.  E no entanto duas raparigas conversavam flutuando, paulatinamente, lá dentro, na zona logo após a rebentação. Inveja. Por não terem frio e por terem força para se manterem em constante luta contra as ondas que, teimosamente, as empurravam para a espuma cheia de areia do quebra coco.
Fui para o toldo.
Estiquei a toalha, oblíqua, para apanhar o sol por inteiro. Algum tempo de bem estar.  Pertinho dois meninos iniciaram o jogo da bola. Imaginei-a voando directa ao meu nariz. Levantei-me. Tentei ler. Mas quem consegue ler numa manhã radiosa de azul e sol? Os meninos ronaldinhos vieram com os avós. Aliás, estamos na era dos avós, que aterram na PG rodeados de netos e netas. Já não há mães. Minto. Havia uma com um bebé, mas ligeiramente infeliz, acho.
Ao longe vejo a C. que, como eu gosta de praia sozinha. Sessentona ainda de biquini. Não quero pensar que uma barriga daquelas, e para mais a ser untada de creme, não devia ser mostrada. Mas penso.
O calor começa a ser intolerável e no mar já ninguém está. Porque cresceu.
Arrebanho as coisas, atravesso o deserto escaldante enfiando os pés por baixo da areia onde o sol entra mais devagarinho.
Subo as escadas, percorro meio metro de passeio e ultrapassa-me um surfista a pingar que, mesmo ao meu lado, resfolega e se sacode como um cachorro. Respinga-me de gotas frescas e saudáveis. E deixa um rasto de perfume. Nunca tinha cheirado um surfista perfumado.