lundi 11 juin 2012



O povo saíu à rua no 10 de Junho para ver "os barcos". Eu também.
Hesitei na escolha do sítio porque quem me acompanhou está de muletas. Acabámos na Cruz Quebrada. No início do novo caminho que segue a linha do combóio, junto ao rio.
Chegámos cedo. Estava um pescador, passavam ciclistas e corredores alagados em suor nojento....
Sentámo-nos em cadeirinhas de praia, abrimos o saco dos biscoitos, demos dois ou três goles de água e eu disse "Mas quem é que vai para a Caparica, quando há a Cruz Quebrada?".
Trauteei uma cantiga do tempo da minha avó "Adeus praia da cruz quebrada, Onde eu ia passear, Pé aqui, é ali, pé além, A atirar as pedrinhas p'ró mar..." e chegámos à conclusão que há tantas coisas agradáveis, perto, muito perto, que não aproveitamos.
Depois começou a encher. Até uma senhora de salto alto se aventurou nestas rochas instáveis, bem agarradinha ao seu par, tão solícito e atencioso que achei ser, certamente, passeio de domingo em "new date".
Pedi a máquina que estava a ser utilizada para imagens - lindas - dos inúmeros barcos que volteavam inquietos.
"Agora quero é uma do povo. Eu gosto é do povo!". Voilá. Para a posteridade.

dimanche 22 janvier 2012



Estou a ficar como as tias transmontanas que cada dia nos diziam de um novo morto. Ou morta.
Idade. A minha, igual à que era a delas quando eu me fascinava de as olhar.
O crescimento em África, inserida num grupo alargado de pais jovens, filhos muitos e poucos avós, fazia de mim, quando vinha às origens da família, uma parente atenta aos que cá viviam cinzentamente.
Os vestidos moles, os casaquinhos pelos ombros, os colares de pérolas, a contenção que, achava eu talvez, teria origem naquele esgar de bocas cerradas e circunflexas. E os coletes dos avôs, presos numa corrente mergulhada num micro-bolso, a navalha da barba ritmadamente afiada a cada dia, o cheiro ao sabão e os sapatos pretos, pesados e sempre brilhantes.
Mas eles não falavam tanto dos doentes, nem dos novos mortos. Só elas.
Estariam com certeza tão impressionadas quanto eu, agora, com o ritmo a que vejo 'caírem' pessoas que me não eram íntimas mas faziam parte do meu quotidiano. Alguns deles nem tinha ideia que lhes tinha tanta estima. É o caso do Sr. Manel que me serviu italianas desde há muitos anos, no café habitual. Era delicado, elegante, discreto. Levava as bandejas até à esplanada em passos e gestos de dança, esquivando-se levemente dos cotovelos da clientela, apinhada ao balcão, expectante de shots de cafeína.
Queixou-se algumas vezes, quase em surdina, de um braço. E de repente deixou de o mexer. É uma compressão na coluna, disseram-me quando perguntei por ele. Um tumor inoperável, soube hoje.
Laços que se quebram.

mardi 3 janvier 2012

Um frisson, sempre, estes primeiros dias do ano. A ligeira excitação da novidade e a pesada ansiedade da incertitude. Pragmaticamente vou-me segredando que isto é um bocadinho treta, estas coisas do começo de ano e tal, são datas impostas e nada muda.
Mas posso mudar eu, ainda.
Para já recuso-me solenemente a ouvir e ver noticias deprimentes. Eu sei que há crise e pessoas mal. Há algumas perto de mim. Ajudo estas e comprometo-me a continuar tão moderada como tenho sido até aqui, no que diz respeito a práticas de consumo. Tive muitos anos de crise particular. Sei o que é não poder comprar o Cerelac e/ou não poder pagar a gasolina. E não comprar bifes. Nem After Eights que há vinte anos pagavam taxas brutais de importação e eram hiper-caros...
Ficar-me-ei só por aquele acessório que não pode ser evitado.

vendredi 30 décembre 2011

Regressei aqui. Mas tenho sempre pena de não conseguir passar lá um dia inteiro.