Hesitei na escolha do sítio porque quem me acompanhou está de muletas. Acabámos na Cruz Quebrada. No início do novo caminho que segue a linha do combóio, junto ao rio.
Chegámos cedo. Estava um pescador, passavam ciclistas e corredores alagados em suor nojento....
Sentámo-nos em cadeirinhas de praia, abrimos o saco dos biscoitos, demos dois ou três goles de água e eu disse "Mas quem é que vai para a Caparica, quando há a Cruz Quebrada?".
Trauteei uma cantiga do tempo da minha avó "Adeus praia da cruz quebrada, Onde eu ia passear, Pé aqui, é ali, pé além, A atirar as pedrinhas p'ró mar..." e chegámos à conclusão que há tantas coisas agradáveis, perto, muito perto, que não aproveitamos.
Depois começou a encher. Até uma senhora de salto alto se aventurou nestas rochas instáveis, bem agarradinha ao seu par, tão solícito e atencioso que achei ser, certamente, passeio de domingo em "new date".
Pedi a máquina que estava a ser utilizada para imagens - lindas - dos inúmeros barcos que volteavam inquietos.
"Agora quero é uma do povo. Eu gosto é do povo!". Voilá. Para a posteridade.