mardi 3 janvier 2012

Um frisson, sempre, estes primeiros dias do ano. A ligeira excitação da novidade e a pesada ansiedade da incertitude. Pragmaticamente vou-me segredando que isto é um bocadinho treta, estas coisas do começo de ano e tal, são datas impostas e nada muda.
Mas posso mudar eu, ainda.
Para já recuso-me solenemente a ouvir e ver noticias deprimentes. Eu sei que há crise e pessoas mal. Há algumas perto de mim. Ajudo estas e comprometo-me a continuar tão moderada como tenho sido até aqui, no que diz respeito a práticas de consumo. Tive muitos anos de crise particular. Sei o que é não poder comprar o Cerelac e/ou não poder pagar a gasolina. E não comprar bifes. Nem After Eights que há vinte anos pagavam taxas brutais de importação e eram hiper-caros...
Ficar-me-ei só por aquele acessório que não pode ser evitado.

vendredi 30 décembre 2011

Regressei aqui. Mas tenho sempre pena de não conseguir passar lá um dia inteiro.

jeudi 29 décembre 2011

Fui ao Cascais Shopping buscar uma coisa que me acabara.
Tive de esperar para arranjar lugar. Parques cheios. E lá dentro uma chusma com sacos repletos e em filas intermináveis.
Eu não percebo.

mercredi 28 décembre 2011

( fotografia daqui)




Habituada à pouca expressividade dos asiáticos - nomeadamente dos japoneses que há bem pouco tempo vimos numa catástrofe inimaginável - impressiona-me esta demonstração colectiva de desgosto dos norte-coreanos.

E por estes excessos recuei uns quantos muitos anos. Aos meus catorze. Estava no liceu, em Luanda, quando morreu, de parto, uma das contínuas do andar onde se encontrava a sala que era a minha. Terá sido na mesma época em que a minha mãe se encontrava grávida do meu irmão mais novo o que agravou seriamente a minha perspectiva. Para mais eu, que tivera uma doentia relação com a morte desde que percebera a sua falta de jeito no que diz respeito à sincronia. Em minha casa - de médicos vários - sempre se falou de morte mas eu achava que era um fenómeno colectivo. Ou seja, pensava que quando um de nós morresse, morríamos todos. Um dia o meu pai explicou-me que não. Cada um morria por si, salvo algumas excepções . Desde aí e ao longo de anos e anos esgueirava-me para o seu quarto, durante a noite, para me certificar que ainda não era órfã.

Houve, então, uma professora, de Religião e Moral, que decidiu arranchar umas quantas meninas para homenagearem a senhora empregada morta. Levou-nos até ao musseque onde era a casa da sua família. Na sala de uma casa escura se encontrava a Ana, em cima de uma mesa, dentro do caixão, rodeada de mulheres que gritavam bem alto um pranto imparável e ensurdecedor. Gritavam e mexiam-se. Uma espécie de dança convulsiva. Acho que encontrei, nesses gritos, a expressão sonora de toda a ansiedade que eu experimentara desde a revelação paterna. Foi muito mau.

Mas aquelas pretas sentiam. E estes coreanos que se atiram ao chão nem ritmo têm.