jeudi 29 décembre 2011

Fui ao Cascais Shopping buscar uma coisa que me acabara.
Tive de esperar para arranjar lugar. Parques cheios. E lá dentro uma chusma com sacos repletos e em filas intermináveis.
Eu não percebo.

mercredi 28 décembre 2011

( fotografia daqui)




Habituada à pouca expressividade dos asiáticos - nomeadamente dos japoneses que há bem pouco tempo vimos numa catástrofe inimaginável - impressiona-me esta demonstração colectiva de desgosto dos norte-coreanos.

E por estes excessos recuei uns quantos muitos anos. Aos meus catorze. Estava no liceu, em Luanda, quando morreu, de parto, uma das contínuas do andar onde se encontrava a sala que era a minha. Terá sido na mesma época em que a minha mãe se encontrava grávida do meu irmão mais novo o que agravou seriamente a minha perspectiva. Para mais eu, que tivera uma doentia relação com a morte desde que percebera a sua falta de jeito no que diz respeito à sincronia. Em minha casa - de médicos vários - sempre se falou de morte mas eu achava que era um fenómeno colectivo. Ou seja, pensava que quando um de nós morresse, morríamos todos. Um dia o meu pai explicou-me que não. Cada um morria por si, salvo algumas excepções . Desde aí e ao longo de anos e anos esgueirava-me para o seu quarto, durante a noite, para me certificar que ainda não era órfã.

Houve, então, uma professora, de Religião e Moral, que decidiu arranchar umas quantas meninas para homenagearem a senhora empregada morta. Levou-nos até ao musseque onde era a casa da sua família. Na sala de uma casa escura se encontrava a Ana, em cima de uma mesa, dentro do caixão, rodeada de mulheres que gritavam bem alto um pranto imparável e ensurdecedor. Gritavam e mexiam-se. Uma espécie de dança convulsiva. Acho que encontrei, nesses gritos, a expressão sonora de toda a ansiedade que eu experimentara desde a revelação paterna. Foi muito mau.

Mas aquelas pretas sentiam. E estes coreanos que se atiram ao chão nem ritmo têm.

lundi 26 décembre 2011

Natal verdadeiramente doirado

Estou nesta ponta da Europa há muitos mais anos do que os que vivi na África onde nasci.


E no entanto, ainda tudo me é estranho. Como novo. Por exemplo, fico deslumbrada com as papoilas, sempre, a cada Primavera. Assim como me choca o frio. Um ultraje. Inaceitável a existência da dor de frio, a necessidade de vestir camadas de roupa, e de as despir, à noite, por ordem contrária


É uma enormíssima provação a passagem do Inverno. Anseio chegar a Março. Tanto que até tenho medo de morrer antes....


Mas este ano estou ligeiramente pacificada. Talvez pela dádiva destes dias consecutivos de sol quentinho e luz doirada e céu infinito em que só de se respirar se dá graças pela vida.


Acho que é o primeiro Natal tão longamente luminoso desde que mudei de hemisfério.

dimanche 25 décembre 2011

Voltei a fazer sonhos ao fim de um ano.
Alguns, do Natal passado, concretizaram-se.