mercredi 1 décembre 2010

sedas e cetins matinais

Não há alguém pela TVI que ensine às meninas locutoras a etiqueta das toilettes?
Zappando ao pequeno almoço, ao sintonizar a 4, parecia-me estar em jantar de (quase ) gala.

dimanche 28 novembre 2010

v(s)ida cruel

Não sou uma telespectadora disciplinada. Vejo pouco e, habitualmente, o que apanho em zapping. Mas ao domingo na 2 tento sentar-me às 9 da noite para assistir aos DOCs. Tenho apanhado bons documentários.
Hoje foi sobre Rock Hudson. Andei para trás vinte e tal anos. Tinha-me esquecido do choque que foi ver as fotografias dele no seu último ano de vida. Já não me lembrava do papel, corajoso, que teve na divulgação da doença, assim como o fantástico desempenho de Elizabeth Taylor que se entregou aguerridamente à chamada de atenção, da sociedade civil, para a necessidade de se patrocinarem pesquisas que assegurassem rapidamente o tratamento dos doentes. Julgo que os miúdos de hoje - e talvez por isso se esteja a assistir a um aumento de casos nos homossexuais - não têm a noção da decadência acelerada e aterradora que o vírus provoca. De como, à época, a decrepitude física tinha laivos de "castigo dos deuses" para os que embarcavam em comportamentos moralmente condenáveis.
Terá sido a partir daquele início da década de 80 que as cabeças começaram a mudar quanto à forma como se olhava para os comportamentos homossexuais. Julgo, mesmo, que a aceitação dos gay, a ênfase na luta pelos seus direitos enquanto "comunidade" minoritária, se iniciou com a batalha de E. Taylor contra a discriminação dos seropositivos. Cruelmente diria mesmo que o HIV deu uma forte ajuda aos homossexuais "ocidentais".

mercredi 24 novembre 2010

Novembro

Completaram-se agora em Novembro muitos e tantos anos de chegada a Lisboa, vinda de África.
Tinha vinte. Casada há pouco mais de um. Orgulhosamente grávida do primeiro filho.

Choveu todo o mês. Assim como ontem. Céu escuro, pingos a gotejar, este frio que de primeiro parece maior. A falta do calor tépido do hemisfério sul. A dolorosa minha ausência no quotidiano da família que me fez crescer e que eu ajudei a formar como irmã mais velha de seis.

Eu, aqui em Lisboa, num sétimo andar da Infante Santo, irremediavelmente submergida numa nova família cujos hábitos, rituais, códigos, cheiros me eram desconhecidos. Numa cidade que, se não estranha, me não era íntima. Conhecia-a das férias graciosas, de visitas periódicas, quase sempre no Verão. Noutros contextos. Com a minha gente por perto e amigos só meus.

Desfazia-me em choro quando via imagens de Luanda. Sabia que eles, os amigos, os irmãos, os pais andavam naquela marginal, iam aquela ilha, mergulhavam naquele mar.

Depois passou-me. Porque uma nova vida minha começou a sério. Mas cada Novembro sinto-o como se fosse aquele primeiro.

dimanche 21 novembre 2010

fundo azul decadente

Vi pouco da Cimeira. Mas não consegui tirar os olhos daquela tela gigante azul, que aparecia em fundo, toda enrugada. Pressuponho que fosse o cenário de todas as transmissões para o mundo. Pena. Haveria, certamente, forma de a esticar...