Não sou uma telespectadora disciplinada. Vejo pouco e, habitualmente, o que apanho em zapping. Mas ao domingo na 2 tento sentar-me às 9 da noite para assistir aos DOCs. Tenho apanhado bons documentários.
Hoje foi sobre Rock Hudson. Andei para trás vinte e tal anos. Tinha-me esquecido do choque que foi ver as fotografias dele no seu último ano de vida. Já não me lembrava do papel, corajoso, que teve na divulgação da doença, assim como o fantástico desempenho de Elizabeth Taylor que se entregou aguerridamente à chamada de atenção, da sociedade civil, para a necessidade de se patrocinarem pesquisas que assegurassem rapidamente o tratamento dos doentes. Julgo que os miúdos de hoje - e talvez por isso se esteja a assistir a um aumento de casos nos homossexuais - não têm a noção da decadência acelerada e aterradora que o vírus provoca. De como, à época, a decrepitude física tinha laivos de "castigo dos deuses" para os que embarcavam em comportamentos moralmente condenáveis.
Terá sido a partir daquele início da década de 80 que as cabeças começaram a mudar quanto à forma como se olhava para os comportamentos homossexuais. Julgo, mesmo, que a aceitação dos gay, a ênfase na luta pelos seus direitos enquanto "comunidade" minoritária, se iniciou com a batalha de E. Taylor contra a discriminação dos seropositivos. Cruelmente diria mesmo que o HIV deu uma forte ajuda aos homossexuais "ocidentais".