A maioria das pessoas que compõem o grupo dos meus amigos tem entre 52 e 62 anos. Começamos a morrer.
No espaço de dois anos já partiram quatro. Rapidamente.
O que esteve por cá mais tempo depois de se saber doente, durou treze meses. Porque foi mantido em vida pelos médicos assistentes já que ia ser pai de uma menina linda que ainda viu nascer e embalou e a sentiu aconchegada, a seu lado, em sua cama, nos últimos dias de força.
Anteontem partiu mais um, subitamente.
Homem feio-cheio-de-charme, sensual, gordo, inteligente, cultissimo, sensivel e absolutamente de esquerda. Acho que era daqueles que são de esquerda por serem bons.
Escarafunchava cada momento da vida. Não se ficava pela espuma. E gozava intensamente o êxtase da profundidade.
Cada elemento deste clube de amigos mortos deixou, em mim, bocadinhos deles. Os que sempre conheci ajudaram à construção da minha "eu"; os que só encontrei depois de me reconhecer, fazem de mim uma eternamente grata pela vida me ter dado oportunidade de os encontrar. De os ter. De me rir com eles. De lhes ouvir as histórias de vida passada antes de mim. Histórias que me ajudaram a entender cada um deles. De ter podido perceber a sua sabedoria, os calos que a vida lhes fez, os trejeitos e os trajectos de sobrevivência. De os descobrir maravilhando-me com o que revelavam.
Morreste-te meu amigo mas não morreste em mim. Queria agradecer-te o facto de me teres escolhido para tua amiga. Mas a amizade não se agradece. Constrói-se, mantém-se. Sentimo-la em permanente ternura. Foi muito bem ter-te conhecido. É muito bom teres-me acrescentado um pedacinho de ti. Para sempre.
mercredi 15 septembre 2010
lundi 6 septembre 2010
três estrelas bem simpáticas
Decidimos rumar ao litoral alentejano em bando. Alargado.
Conseguimos lugar em Sto. André num hotel de três estrelas à frente do quartel dos bombeiros.
Estava completo. De famílias nucleares da classe média baixa.
Fiquei agradavelmente surpreendida. Não só pelo hotel que supera absolutamente, em qualidade de serviço, o "Pestana" algarvio que me acolheu no princípio do verão. Mas também pela"saúde" das famílias que me cruzaram.
Portugal está a funcionar, apesar de tudo.
Conseguimos lugar em Sto. André num hotel de três estrelas à frente do quartel dos bombeiros.
Estava completo. De famílias nucleares da classe média baixa.
Fiquei agradavelmente surpreendida. Não só pelo hotel que supera absolutamente, em qualidade de serviço, o "Pestana" algarvio que me acolheu no princípio do verão. Mas também pela"saúde" das famílias que me cruzaram.
Portugal está a funcionar, apesar de tudo.
jeudi 2 septembre 2010
lundi 30 août 2010
Estive no país hermano, em circunstâncias que facilitaram o consumo permanente de televisão. Transmitida em circuito interno, devo dizer. Pelo que não pude escolher o que queria ver.
Logo à chegada, a alegria de encontrar a CNN esvaneceu-se quando percebi que era transmitida exclusivamente em castelhano: CCN+. Assim como a "Ally McBeal", e as "Donas de Casa Desesperadas" e o "House" e a "Anatomia de Grey".
Zappava nos três canais disponíveis de notícias, notícias, notícias . Só lá me dei conta de como são repetidas ad nauseam. Um facto pode ser visto hora a hora durante um dia e uma noite e uma manhã seguinte......
Estava à frente da pantalla quando no parlamento da Catalunha se decretou a possibilidade de os deputados passarem a intervir em catalão. Assim como quando foi votada a proibição das corridas de touros. Assim como à chegada dos dois catalães que a alqaeda manteve como reféns durante nove meses, algures em África. Um deles apresentou, de improviso, os agradecimentos habituais, perante uma chusma de jornalistas e ao lado do Presidente de la Generalitat, para toda a Espanha, em catalão puro. Referiu sempre, primeiro, a sociedade da Catalunha, o governo da Catalunha, e em segundo lugar a sociedade espanhola e o governo de Espanha.
É um fascínio esta coisa da identidade nacional.
Logo à chegada, a alegria de encontrar a CNN esvaneceu-se quando percebi que era transmitida exclusivamente em castelhano: CCN+. Assim como a "Ally McBeal", e as "Donas de Casa Desesperadas" e o "House" e a "Anatomia de Grey".
Zappava nos três canais disponíveis de notícias, notícias, notícias . Só lá me dei conta de como são repetidas ad nauseam. Um facto pode ser visto hora a hora durante um dia e uma noite e uma manhã seguinte......
Estava à frente da pantalla quando no parlamento da Catalunha se decretou a possibilidade de os deputados passarem a intervir em catalão. Assim como quando foi votada a proibição das corridas de touros. Assim como à chegada dos dois catalães que a alqaeda manteve como reféns durante nove meses, algures em África. Um deles apresentou, de improviso, os agradecimentos habituais, perante uma chusma de jornalistas e ao lado do Presidente de la Generalitat, para toda a Espanha, em catalão puro. Referiu sempre, primeiro, a sociedade da Catalunha, o governo da Catalunha, e em segundo lugar a sociedade espanhola e o governo de Espanha.
É um fascínio esta coisa da identidade nacional.
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