jeudi 20 mai 2010
samedi 15 mai 2010
os olhos azuis de ALA
Estive lá.
- Boa tarde
- Olá
- Margarida.
- Margarida? Tenho tantas Margaridas na minha vida...A minha mãe, sobrinhas, uma cunhada, tias...
- Mas não tem nenhuma Margarida nos seus livros.
- Pois não...
- Então bem podia deixar que uma Margarida aparecesse.
- Acho que elas me matavam todas...
...alguém interrompeu e ele deixou a mão no ar de caneta em espera (tem uma posição estranha quando escreve... uma posição de braço e mão incómoda...que a mim me provocaria dores, acho. E no entanto escreveu-os todos "à mão")...
...fim de interrupção. Acabou de escrever margarida com uma letra enorme e:
- Acho que é uma boa idéia.
- Pois então fico à espera. Obrigada, adeus.
- Adeus minha senhora.
e fico à espera.e ganhei o dia.
- Boa tarde
- Olá
- Margarida.
- Margarida? Tenho tantas Margaridas na minha vida...A minha mãe, sobrinhas, uma cunhada, tias...
- Mas não tem nenhuma Margarida nos seus livros.
- Pois não...
- Então bem podia deixar que uma Margarida aparecesse.
- Acho que elas me matavam todas...
...alguém interrompeu e ele deixou a mão no ar de caneta em espera (tem uma posição estranha quando escreve... uma posição de braço e mão incómoda...que a mim me provocaria dores, acho. E no entanto escreveu-os todos "à mão")...
...fim de interrupção. Acabou de escrever margarida com uma letra enorme e:
- Acho que é uma boa idéia.
- Pois então fico à espera. Obrigada, adeus.
- Adeus minha senhora.
e fico à espera.e ganhei o dia.
samedi 8 mai 2010
Dr. Frederico Valsassina
Encantou quatro gerações de pessoas que o respeitavam e o ouviam e se deliciavam com a sua inteligência, o seu sentido de humor e o seu gosto pela vida.
Tive o privilégio de partilhar alguns momentos da sua vida. É uma enormissima perda.
À família, da qual era o patriarca orgulhoso da sua obra, deixo um abraço.
Com os amigos, alunos e colegas partilho o desgosto.
Tive o privilégio de partilhar alguns momentos da sua vida. É uma enormissima perda.
À família, da qual era o patriarca orgulhoso da sua obra, deixo um abraço.
Com os amigos, alunos e colegas partilho o desgosto.
vendredi 23 avril 2010
manhã diferente e o encanto de nascer diferente
Foi ontem.
Por razões tristes preciso de uma certidão de nascimento. Tentei online mas ainda não está informatizada, informaram-me.
Então meti-me a caminho da Fontes Pereira de Melo, rumo ao Registo Central, logo pela manhã, antevendo filas de trânsito que me provocam, cada vez mais, ataques de pânico. Enganei-me. De Belém ao Jardim da Estrela os semáforos estavam abertos - pela primeira vez na minha vida de frequentadora destas avenidas junto ao rio -. Parecia domingo. Sim, não fui pela autoestrada que àquela hora significa taquicardia logo ali junto à antena da RTP.
Consegui lugar fácil na Sidónio Pais, a única rua de Lisboa central onde eu poderia morar. Porque já lá morei e sei do encanto do Parque pela frente.
Mergulhei na multidão do átrio, coloquei-me na fila para as senhas que são retiradas do dispensador e entregues em mão por uma senhora da Securitas. A minha era a 114.
Sentei-me na sala de espera chique, (quem se lembra das escadas nojentas cujos degraus serviam de amparo nas consevatórias de antanho...) rodeada de gente multicolor. Todos a olhar para o écran que indica a vez no guichet. O meu, que era o E, manteve-se parado no 70 tanto tempo que adormeci. Acordei no 110 com a mesma alegre sensação que tenho quando me entrego ao morfeu em longas viagens e desperto com a voz do comandante informando que estamos a começar a descida.
Que sim disse a senhora. Não está informatizada. 'E p'ra mais é um caso especial. Suba ao primeiro andar. '
Subi. A uma sala com cinco boxes de atendimento, 15 pessoas à minha frente e uma senhora a despachar que entretanto se levantou e desapareceu. Esperei vinte minutos.
Tenho muito mau feitio quando estou com fome. Já era meio dia, o pequeno almoço tinha sido às sete. E eu, nem água para enganar.
Levantei-me, pedi à menina nos bastidores a mexer papéis que chamasse o responsável pela secção. É que o número de pessoas em espera já era o dobro.
'Estamos na hora de almoço' - disse ela.
Mas pouco depois e depois de eu ter falado um bocadinho mais alto, apareceram as colegas. Duas, no entanto.
E eu já quase em desmaio.
Mas valeu a pena porque há poucas certidões como a minha.
É uma transcrição, a pedido do meu pai -nos termos do parágrafo primeiro do artigo tresentos (sic) e setenta e seis do Código do Registo Civil -, do assento do meu baptismo nos livros da Missão Católica do Cacuso, concelho de Cacuso, distrito de Malanje, arquidiocese de Luanda.
Ou seja. Se eu não tivesse sido baptizada não teria existido oficialmente.
E será que ainda existe Missão Católica no Cacuso?
Por razões tristes preciso de uma certidão de nascimento. Tentei online mas ainda não está informatizada, informaram-me.
Então meti-me a caminho da Fontes Pereira de Melo, rumo ao Registo Central, logo pela manhã, antevendo filas de trânsito que me provocam, cada vez mais, ataques de pânico. Enganei-me. De Belém ao Jardim da Estrela os semáforos estavam abertos - pela primeira vez na minha vida de frequentadora destas avenidas junto ao rio -. Parecia domingo. Sim, não fui pela autoestrada que àquela hora significa taquicardia logo ali junto à antena da RTP.
Consegui lugar fácil na Sidónio Pais, a única rua de Lisboa central onde eu poderia morar. Porque já lá morei e sei do encanto do Parque pela frente.
Mergulhei na multidão do átrio, coloquei-me na fila para as senhas que são retiradas do dispensador e entregues em mão por uma senhora da Securitas. A minha era a 114.
Sentei-me na sala de espera chique, (quem se lembra das escadas nojentas cujos degraus serviam de amparo nas consevatórias de antanho...) rodeada de gente multicolor. Todos a olhar para o écran que indica a vez no guichet. O meu, que era o E, manteve-se parado no 70 tanto tempo que adormeci. Acordei no 110 com a mesma alegre sensação que tenho quando me entrego ao morfeu em longas viagens e desperto com a voz do comandante informando que estamos a começar a descida.
Que sim disse a senhora. Não está informatizada. 'E p'ra mais é um caso especial. Suba ao primeiro andar. '
Subi. A uma sala com cinco boxes de atendimento, 15 pessoas à minha frente e uma senhora a despachar que entretanto se levantou e desapareceu. Esperei vinte minutos.
Tenho muito mau feitio quando estou com fome. Já era meio dia, o pequeno almoço tinha sido às sete. E eu, nem água para enganar.
Levantei-me, pedi à menina nos bastidores a mexer papéis que chamasse o responsável pela secção. É que o número de pessoas em espera já era o dobro.
'Estamos na hora de almoço' - disse ela.
Mas pouco depois e depois de eu ter falado um bocadinho mais alto, apareceram as colegas. Duas, no entanto.
E eu já quase em desmaio.
Mas valeu a pena porque há poucas certidões como a minha.
É uma transcrição, a pedido do meu pai -nos termos do parágrafo primeiro do artigo tresentos (sic) e setenta e seis do Código do Registo Civil -, do assento do meu baptismo nos livros da Missão Católica do Cacuso, concelho de Cacuso, distrito de Malanje, arquidiocese de Luanda.
Ou seja. Se eu não tivesse sido baptizada não teria existido oficialmente.
E será que ainda existe Missão Católica no Cacuso?
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