Havia uma costureira que vinha a casa para os arranjos "da poupança": baínhas para cima ou para baixo, remendos em jeans, transformação de calças de pai para calças de filho ou saias de mãe para saias de filha...lembrei-me agora que do resto de uma colcha se forrou o carrinho -herdado -do terceiro bebé.
Ela era mais velha, pragmática e opiniosa. Sempre que eu exultava com a chegada do calor em principios de Março e resolvia, aliviada e feliz, começar a arrumar, no baú, a roupa de Inverno, ela avisava-me: "Não menina, não faça isso. Olhe que em Abril ainda vem muito frio.". Eu não ligava e achava que ela estava mesmo a agoirar. Mas em Abril tiritava sempre, cheia de saudades da camisola quentinha que tinha preguiça de ir bucar ao retiro precoce.
Este ano, talvez porque já estou tão mais velha como ela era, mantive a roupa no sítio, aliás, acumulei no armário que mal fecha, a roupa de Inverno com a roupa de meia estação. E não me arrependo, porque não me lembro de um fim de Março de vento tão gelado como este. Mas ela bem dizia......
lundi 30 mars 2009
samedi 28 mars 2009
mas será que vamos emudecer de vez?
Li há muitos anos uma peça de teatro (com a mesma perspectiva um bocadinho pouco crédula com que li o Admirável Mundo Novo) cujo protagonista passava a noite num hotel em que tudo se processava sem contactos humanos. O check-in era feito por cartão. A refeição -cujo código se ditava para um microfone-aparecia de uma pequena portinhola na parede, em tabuleiro deslizante. A escova de dentes pedida também por microfone saltava de uma outra portinhola, etc....
Com o aparecimento das bombas de gasolina do-it-yourself, sem aqueles senhores simpáticos que nos viam o ar dos pneus e limpavam os vidros e ainda nos davam dois dedos de conversa a troco de duas moedas de cinco escudos (passei a sentir-me um bocadinho homem em processo de "verter águas", naquela posição erecta, de mangueira na mão, sentindo o líquido cair mas de cabeça levantada a dar conta do que me rodeia) houve um dia que, quando me meti no carro de depósito cheio, conclui que as únicas palavras trocadas com a empregada ao balcão tinham sido "bomba 5" e "obrigada".
E ontem fui ao "meu" Jumbo buscar pain azyme, chocolate preto e Vigor em garrafinhas individuais. Não peguei em cestos ou teria trazido mais vinte coisas.... As caixas estavam com filas. Decidi pagar sozinha. Agora já não é um triunfo conseguir processar o pagamento nas maquinetas de leitura óptica que nos vão deixando recadinhos no monitor. Finalmente e sem ansiedade, estou perfeitamente à vontade na descoberta dos códigos de barras, na forma como os ponho a jeito de ouvir o tilintar do preço. Durante o processo lembrei-me da novidade deste método de pagamento, ainda efectuado exclusivamente pelas meninas das caixas, há 2o anos quando o Jumbo foi inaugurado, o qual permitiu reduzir drasticamente o tempo de espera para pagamento . Aliás, passaram a ser as meninas a esperar que os clientes arrumem os produtos nos sacos respectivos.
Mas o não abrir a boca nem para dizer "não, não tenho cartão jumbo", ou "pago com cartão" ou "obrigada e boa semana" dá-me a sensação de que caminho para a vida dentro de uma campânula na qual só falo comigo.
Com o aparecimento das bombas de gasolina do-it-yourself, sem aqueles senhores simpáticos que nos viam o ar dos pneus e limpavam os vidros e ainda nos davam dois dedos de conversa a troco de duas moedas de cinco escudos (passei a sentir-me um bocadinho homem em processo de "verter águas", naquela posição erecta, de mangueira na mão, sentindo o líquido cair mas de cabeça levantada a dar conta do que me rodeia) houve um dia que, quando me meti no carro de depósito cheio, conclui que as únicas palavras trocadas com a empregada ao balcão tinham sido "bomba 5" e "obrigada".
E ontem fui ao "meu" Jumbo buscar pain azyme, chocolate preto e Vigor em garrafinhas individuais. Não peguei em cestos ou teria trazido mais vinte coisas.... As caixas estavam com filas. Decidi pagar sozinha. Agora já não é um triunfo conseguir processar o pagamento nas maquinetas de leitura óptica que nos vão deixando recadinhos no monitor. Finalmente e sem ansiedade, estou perfeitamente à vontade na descoberta dos códigos de barras, na forma como os ponho a jeito de ouvir o tilintar do preço. Durante o processo lembrei-me da novidade deste método de pagamento, ainda efectuado exclusivamente pelas meninas das caixas, há 2o anos quando o Jumbo foi inaugurado, o qual permitiu reduzir drasticamente o tempo de espera para pagamento . Aliás, passaram a ser as meninas a esperar que os clientes arrumem os produtos nos sacos respectivos.
Mas o não abrir a boca nem para dizer "não, não tenho cartão jumbo", ou "pago com cartão" ou "obrigada e boa semana" dá-me a sensação de que caminho para a vida dentro de uma campânula na qual só falo comigo.
vendredi 27 mars 2009
Lulou.....
hum....ainda bem que tenho olhos castanhos...e aposto que o Brown duplicou aquele tique esquisisto de abrir a boca e respirar como um peixe fora de água...também não sei bem de que cor são os olhos dele. Mas os da Rainha são azuis...
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