samedi 28 février 2009

benefícios da crise

O saco do Expresso chegou mais leve. Nem um único desdobrável com publicidade.
A habitual transferência directa para o contentor dos recicláveis foi, assim, evitada.
Boa.

lundi 16 février 2009

Estiveram de fim de semana cá em casa.
Permiti um banho "de banheira cheia" no sábado.
Horas lá dentro, os dois mais velhos, até ficarem enrugadinhos.
Mandei-os sair.
Saíu o primeiro, de oito anos.
O segundo, de cinco, ficou com a água toda por conta dele, deitou-se de barriga para baixo e decidiu tentar "fazer ondas", para a frente e para trás, ao mesmo tempo que imitava o barulho da ronca do Cabo da Roca.

O mais velho, de dentro do turco branco:

- Qu'é isso pá? Tázafazer sexo ó quê??

-(silêncio)-.... movimentos e roncos a continuarem.

O mais velho quase seco e já com saudades do quentinho da banheira:

-Vá pá, sai lá...assim não vale!.. eu já saí há que tempos!!!!

O segundo continuando movimentos:

-Nã, nã.... ainda não acabei de fazer sexo.

lundi 2 février 2009

Esperança

Fui convidada para assistir ao espectáculo desta menina.
Fiquei muito impressionada: pela sua juventude, pela sua aparente fragilidade, pela portentosa voz apesar de não se manter quieta, pelo modo como dá vida ao enormissimo contrabaixo e, simultaneamente, dele, recebe o encosto e equilíbrio, pelo ritmo permanente de cada músculo daquele físico imaturo......e os seus sapatos brancos de salto alto, em cima dos quais parecia permanentemente em equilíbrio instável, parecendo muito maiores que os pés dela, foram ao longo do espectáculo uma espécie de diapasão.
Os grandes génios são-no desde cedo e, no geral, gastam-se precocemente. Tenho esperança que a Esperanza consiga manter-se, e mesmo melhorar, durante muitos e longos anos.

samedi 31 janvier 2009

uma boa acção e uma tentativa

Saí de manhã cedinho para ir tomar café, às escondidas do cão que se me vê a sair e não o levo fica a uivar desesperado. Não levei guarda-chuva porque ele, o cão, sabe que quando o apanho, ao guarda-chuva, é sinal de passeio e ficaria a uivar na mesma, mesmo que não me visse sair.
No regresso já chovia. Entrei na drogaria que também é perfumaria. Propuseram-me dois: um de plástico pequenino e de copa verde, por sete euros e meio e outro de madeira, grande e copa bordeaux, por dez euros. Preferi este último, não só porque, mais sólido, não se desfaria ao primeiro vento, mas também porque o verde faz-me ainda mais verde do que já sou. Só mais tarde percebi que tinha "Ayer" gravado no cabo ...ou seja, terá sido um brinde da marca às sortudas que compram cremes chiques... não teve destinatária e à conta da crise foi posto à venda.

Seguidamente decidi ir a Lisboa, à Estrela, comprar meias de descanso já que estas pernas contam, cada uma, uns quantos anos de muito penar.

Segui pela Junqueira ao som de Schubert...que há-de melhor em dias de chuva?....e reparei numa senhora, encostada a um portão à frente do Egas Moniz, com um bebé num carrinho, sem gabardina nem guarda chuva. Não consegui prosseguir. À frente do lar de velhinhos da cuf onde antigamente havia a fábrica dos chocolates, quase a chegar à "casa" dos eléctricos dei meia volta, passei o Egas, dei meia volta outra vez por cima do risco contínuo ("se há por aqui um polícia lixo-me...mas ele há-de perceber que não se pode deixar um bebé à chuva muito menos a mãe dele")..parei à frente da senhora e perguntei-lhe se não queria o guarda chuva...novo...brinde da Ayer que eu comprei por dez euros...
Aceitou . Saíra do hospital, de uma consulta, e estava à espera do marido que tinha ido buscar o carro. Este, o carro, estaria estacionado em Belém certamente...o homem demorou 20 minutos. Pensei deixar o guarda chuva e ir á minha vida mas, raios, acabara de o comprar e p'ra mais é sólido...e eu iria precisar dele - como mais tarde constatei numa Calçada da Estrela transformada em ribeiro, com automóveis quase anfíbios, produtores de duches certeiros-
Várias vezes sugeri que entrassem no meu carro enquanto esperavam, já que os jeans fininhos do crianço do carrinho pingavam. Não aceitou se calhar com medo que os levasse Lisboa fora e o marido não os encontrasse nunca mais...
Por fim chegou o pai, seco, e de ar vigoroso. Não saíu. Destrancou a porta e esperou que ela me devolvesse o guarda chuva e ainda mais se desculpasse pelo facto de estar molhado...era, de facto, fonte de uma cascata que me inundou o tapete...

Segui Junqueira fora a pensar que se fosse escuteira teria cumprido a boa acção do dia.

Estacionei no jardim da Igreja da Estrela. Num lugar que estava ali mesmo bem à minha espera. Fui às meias. Quase nadei. Alaguei-me. Voltei ao carro. Atendi o telemóvel e entretanto vejo uma senhora em grande esforço, estacionando em cima do passeio oposto. Interrompi a conversa, abri um pouco a janela e disse-lhe, cheia de boa vontade, que ia sair. Recusou o lugar. "Aí tenho de pagar parquímetro". Ah! ....Bom seria que houvesse uma mãe com um carrinho de bebé, impedida de circular naquele espaço, e que num acesso de desespero lhe riscasse o dela de trás para a frente...