Aqui na vila em que me encontro há três cafés.
Um deles é enorme, tem plasma, totoloto, secção de tabacaria e serve refeições.
Outro é menos amplo, não tem plasma, serve pregos e sopa.
O outro é mais pequeno, televisão mínima e sempre calada, serve pequenos almoços.
Os dois primeiros cheiram, invariavelmente, um a fritos e o outro a bifes e "gordura de sopa", aquele cheirinho que se pega à pele, logo pela manhã, quando estamos radiantes de banho tomado, shampoo e água de colónia.
Vou , bem cedinho, ao último, beber café e , aliás, espanto-me sempre pelo poder económico da população "rural" que esbanja euros em pequenos almoços lautos em vez de os tomarem no sossego do lar.
Mas o Sr. Carlos, dono do das sopas e pregos, é um homem afável e tenho pena por vezes, que ele me veja passar para entrar na porta ao lado. Hoje estava ao balcão, a olhar para a rua..apanhou-me no caminho e .....eu entrei...com um ligeiro sobressalto no limiar da porta porque fui logo rodeada "de gordura". Bebi a italiana que só ele sabe "tirar" na dose exacta. Tomei coragem e disse-lhe baixinho que deveria arranjar um exaustor de modo a evitar o cheiro logo pela manhã.
"Ah! Pois é...é a sopa a fazer...acabei de lá pôr os legumes...Eu tenho exaustor!..Mas não o ligo. Acho que este cheiro a comida é a melhor forma de chamar clientes...Não há nada que cative mais uma pessoa que vá na rua do que um bom odor a comidinha ao fogão".
E assim saí. Com vontade de voltar para a banheira.