mercredi 8 août 2007

cremes e perfume

Uma vez mais fui ao Porto...a partir do terminal2 que mais parece uma oficina...
E mais uma vez regressei do Porto.
Doses certas de anti-rugas em caixinhas compradas na 'Sephora' de propósito para viagem .Todos cabiam dentro do saco de plástico previsto, e ainda tinha espaço para um frasco de perfume. Sem qualquer espécie de problema à ida. À vinda lixei-me. A mesma 'polícia' de cantar do Norte olhou para o fundo do frasco...

"125 ml!!...Ah e eu num acredito que éi a meisma meniiina!".

Mais uma vez não valeu a pena rogar-lhe !... Desta vez perdi-o, ao YSL, pois não me arrisquei a esperar 45 minutos na passadeira das bagagens juntamente com brasileiros....

e entretanto acabei de ganhar às damas contra um russo. Que honra...eu acho que são todos uma espécie de kasparovs........

mardi 7 août 2007

assobios

Nesta terra de neblina baixa vinda do mar, carregadinha de sal, qualquer máquina enferruja. O frigorífico esboroava-se. Comprei um novo no Mucifal, vila com o maior índice de cafés por metro quadrado em Portugal...mas onde qualquer utente de pastelarias corre o risco de morrer atropelado pois não há passeios. O ambiente é o de uma Idade Média de alcatrão e automóveis......ruas estreitas, pátios impenetráveis, escondidos por paredes grossas.

Julgo que, dentro do frigorífico, um qualquer espírito que foi descarregado na minha cozinha. Ao princípio estranhava...pensava ser alguém, lá fora, chamando os cães, a horas improváveis. Já um dos meus filhos, sonolento e/ou sempre apressado para sair me dissera "Este *****deste frigorífico assobia.". Não liguei....até que percebi que o assobio 'de gente' vinha lá das suas entranhas geladas.

Acontece que as minhas horas da cozinha são as minhas verdadeira horas de solidão e introspecção. Há quem a faça - à introspecção - à beira mar, ou na floresta, ou na montanha.
A mim o mar provoca-me um sempre sentimento de júbilo pelo facto de estar viva.
A floresta abafa-me...odeio o verde e as sombras que me oprimem.
Da montanha só gosto quando me oferece a paz da neve brilhante de sol e azul de céu.
Assim, não olho 'para dentro' nesses momentos.

Na cozinha, ao contrário, procuro fugir daquela rotina diária e chatissima...não de cozinhar...gosto de cozinhar para quem gosto...mas o arrumar e o limpar, o detergente e o esfregão engordurado, o grão de arroz que teima em saltar para sítios inacessiveis mas perfeitamente visíveis...
Fujo todos os dias...por vezes 'cá dentro' encontro um espaço razoável, onde sou sensata e pragmática e realista .... Acho que graves impasses foram ultrapassados nessas alturas. Mas há dias em que, e eu sei lá bem explicar porquê..., a passagem "para a outra margem" me revela uma eu nos antípodas de mim mesma. E eu deixo-me levar...encantada pela revelação de uma mim sonhadora e pronta a ter atitudes dignas de ficção.
Mas num repente, o frigorífico assobia....e eu volto à realidade. Como se alguém me chamasse a mim..e não aos cães...e me desse um pequenino aviso de que a vida não é isso...
Acho que quando voltar para Lisboa vou ter que o levar, ao frigorífico.