samedi 14 novembre 2015

Saudades de Maigret e de seu tempo, em que os crimes parisienses tinham como protagonistas pessoas du quartier...

mercredi 23 septembre 2015

O Outono cheira a maçã.
Reineta, verde, estaladiça.
E sabe ao seu puré que se come num primeiro deleite doce , um segundo aconchego de palato macio e um terceiro  arrepio ácido que faz de cada átomo bucal  um praticante,  viciado, dos mais sublimes, múltiplos, consecutivos,  orgasmos papilares...

lundi 8 juin 2015

Hoje, primeiro dia de grande praia.
As obras no paredão deixaram pedrinhas afiadas e traiçoeiras logo ali à saída da nova escada chique e de degraus baixinhos, fácil de subir e mais fácil ainda de descer. Então aquele arrepio habitual de "pé na areia ao fim de tanto tempo" não se produziu. O primeiro (pé) picou-se numa lasca. Mas não foi grave. Só um susto.
Estava aquele cheiro a maresia morna e doce.
E a gaze de neblina fininha.
E o mar calmo e quente.
E ninguém dentro do circulo de 10 metros de raio, cujo centro era só eu.
A areia em consistência ideal para se deixar moldar pelas convexidades de mim.  E quando tudo encaixado é aquele suspiro de paraíso.
Paz absoluta.
Sorte a minha.

samedi 30 mai 2015

Foi hoje eutanasiado.
Era  Alentejano.
Sorna.
Ladrava sentado. No entanto levantava-se quando me via.
Levava-me ao portão e esperava.
Deitado, sempre.
Quando eu voltava,  acompanhava-me relva fora, em trote elegante, sempre ao meu lado até perto da porta de casa.
Era altissimo.
Por impossibilidade de lhe dar a mão, punha-a no seu  cachaço e lá iamos nós, dois namorados momentaneos. 
A poucos metros da porta, acelerava o trote de tal forma que a minha mão escorria-lhe até à ponta da cauda, felpuda, macia. Era uma festa prolongada.
Dava meia volta e deitava-se.
Dificil será o amanhã e a moldura da janela da cozinha sem ele.